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Com mais de 45 anos de experiência em Psiquiatria e Psicoterapia com adolescentes, adultos, casais e famílias, o Dr. Luiz Cuschnir se tornou o mais respeitado especialista brasileiro nas questões do feminino e masculino, sendo o idealizador e chefe do grupo de psicoterapia GENDER GROUP® do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo e do IDEN – Centro de Estudos da Identidade do Homem e da Mulher.

Formado em Medicina pela FCMS – Faculdade de Ciências Médicas de Santos com Graduação e Mestrado em Psiquiatria pela Faculdade de Medicina da USP. Teve especialização em psicodrama pela Sociedade de Psicodrama de São Paulo, pelo Instituto J. L. Moreno da Argentina e pelo World Center of Psychodrama, no Moreno Institute, em Beacon, N.Y. Tem a titulação de professor, supervisor e terapeuta de alunos da FEBRAP – Federação Brasileira de Psicodrama. Estagiou na MenCenter Clinical – Executive Psychologists, Washington, D.C, EUA. Formado como terapeuta de EMDR – Eyes Movement Desensitization and Reprocessing. Terapeuta certificado em Brainspotting – Reprocessamento de Pontos Cerebrais. Mais recentemente integra a Espiritualidade em seu trabalho, como recomenda a World Psychiatrist Association, como uma ampliação no entendimento e tratamento da prática clínica (vide os trabalhos “DESPERTAR DO SER NO HOMEM E NA MULHER”). Autor de dezessete livros e consultor especializado para diversos grupos de mídia, Luiz Cuschnir exerce sua atividade profissional como psicoterapeuta em uma clínica particular no bairro do Paraíso em São Paulo. Tem experiências de trabalho em empresas, desenvolvendo profissionais levando em conta a energia masculina e feminina no ambiente de trabalho. Consultor frequente em varios veiculos de comunicação de mídias.

Biografia

Eu poderia ter sido engenheiro, arquiteto ou administrador de empresas, mas quando assisti ao filme “Freud, Além da Alma” me fascinei com a Psiquiatria e decidi meu destino profissional. De repente, aos 17 anos, me vejo longe da família, cursando medicina na Faculdade de Ciências Médicas de Santos, mas ao invés de me dedicar apenas à Psiquiatria, resolvi estudar todas as matérias médicas. Queria me preparar mais amplamente primeiro. Assim, experiências passando em um difícil concurso para acadêmicos no Hospital Maternal de São Paulo, por um ano trabalhei na maternidade fazendo partos, além de ao longo dos primeiros anos de faculdade acompanhar cirurgias gastroenterológicas, plásticas e ginecológicas. Freqüentei inúmeros congressos e cursos de outras áreas, além de ter sido o diretor social do diretório acadêmico, promovendo grandes eventos para a faculdade. Aí, no 5º ano, chegou a hora de focar e me mantive totalmente voltado para a área da psiquiatria e da psicoterapia.

Após o meu primeiro contato com a psicoterapia junguiana, me aproximei do psicodrama, ainda no internato do curso de medicina, cursando a formação para terapeutas. Foi aí que um colega me sugeriu pedir para minha família, de presente de formatura, um estágio diretamente com o criador do psicodrama, o J. L. Moreno: “Você não sabe quanto tempo ele ainda vai viver…” disse ele. Eu tinha a possibilidade de fazer meu estágio optativo final do curso de Medicina lá no Instituto Moreno em N.Y e assim o fiz. Como o casal J. L. e Zerka morava na propriedade onde os estudantes tinham a sua residência, o meu contato com eles era também fora dos horários de trabalho psicodramático. Era uma rotina de treinamento intensa, nos sete dias da semana, com três sessões de três horas por dia, e nos tempos livres, eu aproveitava para ir à casa deles onde me encontrava com Jonathan, o único filho do casal, de quem sou amigo até hoje. Também saia com Zerka para fazer compras de supermercados, principalmente guloseimas para nos energizar naquele inverno rigoroso, ao norte do estado de Nova York, enquanto fazíamos os psicodramas de nossas vidas para tratarmos e treinarmos o papel de psicodramatista. No ano seguinte, aqui no Brasil, recebo uma carta de Zerka me informando que J.L. Moreno havia falecido. Ele foi enterrado naquela mesma propriedade onde eu havia passado por aquela preciosa formação. Completando com mais horas de treinamento, o único psicoterapeuta brasileiro a se formar no Instituto, com o privilégio de ter tido essa experiência única de convivência psicodramática, o verdadeiro psicodrama moreniano, o “viver o psicodrama”.

Em uma segunda estada no Instituto, já sob o comando de Zerka, comentei com Jonathan Moreno que não me conformava por não haver uma publicação em livro da autobiografia do grande médico. Acabei eu mesmo editando a obra, completei com notas, coloquei minhas fotos com eles, criei uma capa com uma imagem dele e no fundo o nome dele escrito em hebraico. O livro foi publicado no Brasil pela Editora Saraiva. Mais recentemente a editora Summus republica este texto.


Nos meus primeiros anos como psicoterapeuta, atendi um número grande de adolescentes. Nas sessões vinculares, entre pais e filhos, apareciam as dificuldades de comunicação afetiva dos homens e seus filhos, coisas que envolviam afeto masculino e mostrando grandes lacunas a serem transpostas para que ambos experimentassem a amorosidade entre homens. Paralelo a isso, devido ao crescente movimento feminista, estavam ocorrendo grandes transformações sociais que afetava drasticamente em como os homens iriam responder às mulheres em suas solicitações. Estes dois assuntos se imbricavam ao se tratar dos papéis de pai e mãe, valores dentro e fora de casa, paradigmas de educação de filhos e conflitos psicológicos. Tomei conhecimento de um curso em um congresso da International Association of Group Psychotherapy and Group Processes em Amsterdam e lá vivenciei o que estava sendo desenvolvido na área psicanalítica clássica a respeito de grupos de gênero. Fiquei fascinado e encontrei uma chave para desenvolver algo aqui no Brasil. Um convite da Sociedade de Psicodrama de São Paulo para justamente expor as novidades desse congresso, me deu a chance de implementar um workshop com terapeutas interessados nessa nova abordagem. Ao mesmo tempo, arrisquei fazer o primeiro grupo só de homens no consultório, inédito na época, apesar da resistência de pacientes e até entre profissionais tradicionais que não tinham nenhum contato com a questão dos gêneros além da temática dos direitos sociais da mulher. Pelos preconceitos que percebia ao apresentar este trabalho, resolvi denominá-lo “Gender Group” em inglês – grupos de gêneros “pegavam mal”. Não se realizavam trabalhos psicoterapêuticos focados diretamente nas questões conflitivas que o homem e a mulher viviam perante essa mudança paradigmática do ser um Novo Homem e um Nova Mulher. Esse primeiro grupo me levou a ser convidado para a “Páginas Amarelas” da revista Veja pela primeira vez e a mídia me descobriu como consultor de reportagens a respeito das novas visões do Masculismo. Nessa ocasião sou denominado por outra revista como precursor também de um movimento com esse nome, confundindo o meu papel de estudioso e terapeuta com líder de um movimento social que defendia os homens. Sempre escrevendo a respeito dessas experiências, fui estudando e criando novos grupos terapêuticos de vivências. Levei vários homens e mulheres para Águas de S. Pedro, interior de São Paulo, trabalhando com ambos em separado e em conjunto, dentro do hotel Jerubiaçaba e do Bosque da cidade.

Criei inúmeros formatos de abordagens psicoterapêutica e temas onde o foco era o repensar o masculino e o feminino para cada um e surgiram várias oportunidades de apresentar estas concepções em diferentes cantos do Brasil. Aproximar homens e mulheres nessas questões ainda tão confusas dava a dimensão do quanto se precisava desenvolver o mundo interno do homem e da mulher de diferentes culturas, estados e religiões, para se propiciar o acesso a novos paradigmas da sociedade em transformação.

Iniciei a minha carreira de autor sem imaginar a dimensão para onde eu estaria me dirigindo. Em uma outra oportunidade, quando em contato com a ABRH – Associação Brasileira de Recursos Humanos, tive o apoio para um estágio no MenCenter® – Clinical Executive Psychologists em Washington, D. C., E.U.A com Alvin Baraff, Ph. D., também precursor de novas visões do Masculismo. Lá tive mais experiências de atendimentos específicos a executivos, especialmente funcionários públicos americanos. Fui presidente sul-americano do 1st. International Congress of Man em Toronto, Canadá além outros tantos congressos e conferências que estimularam meus estudos sobre gêneros.

Posteriormente me solicitaram levar este trabalho para o Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas onde eu já trabalhava desde a minha Residência em Psiquiatria, nessa ocasião já como Supervisor de Residentes. Lá criei um estudo formal científico para grupos de homens com aplicação de diversos instrumentos estatísticos de pesquisa. Concebi procedimentos psicodinâmicos específicos para se trabalhar com o gênero masculino e desenvolver questões dos conflitos emocionais em homens. Depois de três anos de estudos e assistência em campo, apresentei em uma dissertação de mestrado “Masculismo, um estudo dos conflitos emocionais masculinos através do GENDER GROUP®“. Comprovo estatisticamente a eficácia dessa abordagem psicoterapêutica grupal que criei para esse fim. Ao mesmo tempo estudo profundamente a psicodinâmica masculina nestes grupos. Algum tempo depois, ampliei a mesma abordagem para as mulheres e expandindo o serviço de psicoterapia cada vez mais, passei a trabalhar nesta mesma perspectiva com todas as faixas de adultos interessados, inclusive pacientes com idade mais elevada.

Ao longo de mais de 45 anos me dedico aos estudos das questões emocionais dos homens e mulheres, com pesquisas e assistência oferecidas aos que procuram este serviço de psicoterapia. A abordagem DESPERTAR DO SER completa mais um ciclo desses estudos. Paralelamente, na área de ensino, desenvolvo o papel de psicoterapeuta de profissionais interessados em se aperfeiçoar no meu trabalho.