PATERNIDADE – Relação pai-filho hoje

Pode parecer que há um prolongamento na dependência dos filhos, quando se fala do ponto de vista econômico mas por outro lado, há um distanciamento maior, emocional, propiciado pela amplitude que os canais de informação oferecem para a apresentação do que é o mundo para eles. Não é só o progenitor que oferecerá os mais importantes caminhos para esse filho se tornar um homem e essa filha uma mulher. Ele sairá por aí e receberá muito, com uma qualidade distinta ao que um vínculo paterno proporcionaria.

 

Esse distanciamento afeta a relação afetiva, a troca inexistente ou interrompida que propicia dificuldades de expressão dos vínculos de amor que existem entre os dois lados: pais e filhos. O convívio facilita a transmissão do que principalmente o mais velho, mais vivido, emocionalmente mais maduro pode passar adiante para quem o sucede.

 

A importância da educação paterna se pauta muito no respeito, amor, exemplo e cumplicidade. Esses elementos quando não explicitados verbalmente, poderão estar implícitos, somente permeando o universo desse relacionamento como imagens que perpassam nossa visão quando estamos viajando em um veículo a uma certa velocidade. Vão passando e não conseguimos identificar tudo que existe naquela paisagem. Aquele “jeito do pai” que fica marcado como modelo (ou anti modelo).

 

A importância da paternidade para o homem transita pela autenticação da identidade masculina. Ser homem se reforça nessa relação, onde a responsabilidade, a transmissão de valores, o acompanhamento do desenvolvimento de um outro Ser, promove sentimentos únicos para este homem, o confirmando como tal. Cada vez mais o homem se solta para ser pai, se entrega numa dedicação expressa no aprendizado de todos os assuntos que pertencem ao mundo dos filhos. Não importa se é um bebê, uma criança, um menino ou uma menina. Quando crescem, muitas vezes os perseguem para aprender mais, acompanhando os passos para se enriquecerem desses novos adultos que tiveram a oportunidade de criar.

 

O orgulho e a realização como pai se instala assim como a pressão para cumprir uma história de vida bem sucedida. Assim, as frustrações que permeiam esse caminho provocam sentimentos ambíguos. Há tanto uma busca determinada de dar certo como pai ou uma desistência provocada pela sensação de incapacidade e ineficiência.

 

Assim mágoas enormes geradoras de conflitos que aparecem entre eles, tanto pelo abandono de um ou de ambos, quanto por razões externas quando são separados por condições familiares e geográficas que afetam este relacionamento tão único e precioso para a existência de cada um.

 

Bastante frequentes são as recusas de pais ou filhos de manterem o convívio mais próximo, causando feridas aparentemente esquecidas ou deixando marcas de imensos desgostos. Um pode querer, reiterando uma aproximação, e outro rechaçando com um humilhante desdém. Desprezo é uma arma eficiente para manter o outro o mais longe possível. Muitas vezes as dores dos pais são completamente inacessíveis. Eles guardam as lástimas para no máximo um terapeuta que está fora do círculo familiar e social. As lágrimas só podem verter onde estão protegidos de críticas acusatórias.

 

A importância da mulher/mãe está presente muito frequentemente, seja facilitando e estimulando que os dois convivam intensamente e harmoniosamente ou, como na alienação parental, separando-os com palavras, atitudes veladas ou “caras-e-bocas”, criando abismos às vezes intransponíveis entre ambos. O inequívoco poder feminino aqui aparece, tanto para o bem como para o mal, para juntar e para separar.

 

A reconciliação de filhos com seus pais, mesmo que tenham justificativas razoáveis desse distanciamento, devem implicar em revisões para que se estabeleça um resgate do que é insubstituível para o percurso da única vida que têm: ser pai e ser filho… um desse outro…antes que seja tarde…

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