Os riscos de anabolizantes

Entrevista concedida à Revista Men’s Health – julho/2013

MH: Quais fatores psicológicos levam um homem a desenvolver obsessão pela forma física?

Luiz Cuschnir: Questões ligadas à insegurança psicológica de como está sendo considerado pelos outros, pode levar a necessidade de se apresentar fisicamente de uma maneira que o confirme a sua presença nesse sentido. A obsessão, que implica em uma subordinação a essa necessidade, no caso baseada nos aspectos físicos, torna um homem dependente ao extremo de se preparar fisicamente ao ponto de poder deteriorar outras atividades importantes de sua vida. Ele precisa dessa imagem física para se sentir aceito e valorizado utilizando comportamentos esteriotipados que o levem a essa satisfação.

MH: Quando essa obsessão passa a ser considerada vigorexia? Como é possível detectá-la? Qual a forma de tratamento?

Luiz Cuschnir: A psicoterapia aliada a medicações que são indicadas para esses casos, podem dar a possibilidade do homem se satisfazer consigo mesmos sem os exageros e o comprometimento da sua vida como um todo. O diagnóstico deve ser feito por um profissional e uma avaliação de um psiquiatra é imprescindível para verificar quadros associados.

MH: Existe alguma razão para quem tem essa preocupação excessiva com o corpo utilizar recursos mais fortes como anabolizantes?

Luiz Cuschnir: Os anabolizantes, quando não são utilizados como recomendação médica já fazem parte de um quadro de dependência da necessidade de se apresentar como uma imagem de um homem forte ao ponto de se expor fisicamente aos danos que podem levar a consequências muito sérias. O homem extrapola limites não se importando os danos, tudo em função dessa condição psicológica patológica.

MH: Qual a sensação que o resultado do consumo de anabolizantes (um corpo em forma, em destaque, uma performance melhor e a sensação de ter mais pique) traz ao psicológico? É ela que motiva o consumo?

Luiz Cuschnir: A sensação de força, que coincide com a mesma noção de identidade masculina, aqui está exagerada e motiva este consumo. Explicando melhor, homem tem essa noção que precisa ser forte fisicamente. Isso também está na cultura e na sociedade, onde a força física se mescla com o masculino. Quando isso é desmedido, o suporte que essa noção dá ao proporcionar ao homem essa imagem de força física, o suporta na noção de identidade de gênero (masculino). Se estamos falando de distorções de imagem e da dependência dela para se sentir masculino, o homem passa a se entregar obsessivamente a atitudes que o sequestram e o deixam num cativeiro de uma ideia de um homem que deve ter determinadas formas para se sentir como tal.

MH: Além da chamada vigorexia, existe alguma outra disfunção psicológica que possa levar ao uso de anabolizantes?

Luiz Cuschnir: Quaisquer exageros podem provocar distorções que expõem o homem a distorções de condutas relacionadas a necessidades de se confirmar como pessoa. Nesse campo, homens necessitam de reconhecimento em sua masculinidade. Quando isso coincide com conflitos emocionais para se confirmarem, podem necessitar utilizar anabolizantes como uma maneira artificial para atingirem uma satisfação consigo mesmos que transcendem o cuidado com a saúde.

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