O que significa ser homem hoje?

Uol Mulher – Jornalista Marina Oliveira
Entrevista concedida – 08/08/2014

Sempre em evolução, com as particularidades de cada um, aponto alguns padrões nas diferentes áreas. Ele busca desenvolver habilidades para manter a relação afetiva com a mulher e também aprende mais claramente com outros homens o que está acontecendo na sua vida. Com uma conscientização de que precisa se preparar, se ampliar, sair de um lugar arrogante, pode se enxergar melhor, respeita mais, reflete e considera mais o que está a sua volta. Está disposto a conversar sobre sentimentos e emoções com outros homens e com outras mulheres, e com amigos partilha suas dificuldades.

Além do provedor financeiro, descobriu também que pode prover mais afeto e carinho para seus familiares. Preocupado e participante na educação dos filhos, vaidoso e cuida de sua saúde, está aberto à se relacionar com mulheres mais ativas e exigentes, inclusive sexualmente. Há uma expressão da independência masculina em relação a mulher, não precisa mais dela para se cuidar, consegue fazê-lo sozinho, preparar uma refeição e conviver melhor com os filhos. Chamei esse movimento do Novo Homem de Masculismo (mestrado na Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo).

É cobrado em sua sensibilidade, apresentação e refinamento, mas sem utilizar os referenciais femininos para estas qualidades. Deve procurar tais quesitos sem comprometer a sua masculinidade. Atualmente quer estar com mais disponibilidade afetiva pois percebe que ganha com isso. Abre a possibilidade de flexibilizar suas relações profissionais. Na mesma faixa de competição que ela, continua sendo exigido para vencer profissionalmente, inclusive pela mulher, o que contamina a forma como se estabelece a relação afetiva e íntima. O trabalho é o pano de fundo da identidade masculina. Quanto mais dinheiro mais macho.

Desemprego e rompimento familiar afetam-no intensamente, assim como relacionamentos nos quais investiam muito. O desemprego significa que fracassou no papel de provedor e a separação é entendida como a incapacidade de realizar seu projeto principalmente se existir os filhos.

O homem que se vê apoiado em um relacionamento afetivo mais constante, se sente acompanhado e pode reportar a sua conquista diária. Oferece a possibilidade de encontrar um sentido de vida mais amplo do que somente conquistar sem troca nenhuma de energia durante sua vida. Tem um preço: ainda a mulher quer que ele pague as contas. Não gosta mas não consegue mudar esse esquema.

No passado, o homem não tinha a noção clara da própria insatisfação. Em decorrência disso, morria mais cedo e passava pela vida deprimido, sem procurar ajuda médica. Hoje está mais consciente do peso que representa o papel masculino como provedor e amante. Aprendeu a reclamar e já não esconde suas angústias como no passado. Quando aceita que está fraco precisando de ajuda, de tratamento, entende que vai lidar melhor com suas emoções e seus conflitos, se não quiser continuar sofrendo. Percebe que o super-homem faliu.

 

 

 

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