HOMENS À BEIRA DE UM ATAQUE DE NERVOS – REVISTA MÁXIMA PORTUGAL

Entrevista do Dr. Luiz Cuschnir para Revista Máxima de                 Portugual – Por Sofia Teixeira

HOMENS À BEIRA DE UM ATAQUE DE NERVOS

Numa sociedade que valoriza cada vez mais a sensibilidade e a cooperação, atributos masculinos outrora importantes como a autoridade e a virilidade são agora questionados. Muitos adaptaram-se, outros deixaram de saber quem são. Estarão os homens a enfrentar uma crise de masculinidade?

 

O psiquiatra brasileiro Luiz Cuschnir estuda e escreve livros sobre este tema há mais de 30 anos. E defende que, olhando para trás a situação para os homens já foi pior. Nos anos 90, a guerra dos sexos era um vespeiro bastante mais perigoso do que agora e os homens, garante, estava à beira de um ataque de nervos, atordoados com a reboada feminista, infelizes e vulneráveis. “Nessa época, os homens estavam despreparados em relação à mulher, aos seus avanços nos diversos âmbitos da sociedade e reagiram mal a isso tudo”. O psiquiatra do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas, da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, criou mesmo, uma unidade no Instituto chamada Gender Group que faz a psicoterapia em grupo focada na resolução das questões de gênero e de relacionamento entre o homem e a mulher. O projeto, que ainda se mantém, é uma forma de ajudar homens e mulheres a gerir os conflitos que surgiram depois de intensa transformação dos seus papéis sociais.

Para Cuschnir, hoje, essa vulnerabilidade masculina é sempre permeada pela necessidade de ser alguém que não se é verdadeiramente. “Alguém que persegue uma posição que não corresponde à sua essência fragiliza-se”. E isto, na sua opinião, acontece sobretudo quando tentam ser politicamente corretos para não serem considerados machistas. Nuno, um português de 38 anos, concorda: “Faço cedências para não ficar mal visto. Não faço e digo o que penso, mas antes aquilo que acho que esperam de mim. Claro que isto é uma coisa que toda a gente faz um pouco, mas tenho noção que o faço muito mais no que toca ao relacionamento com as mulheres e para não criar fúrias relacionadas com questões de gênero. Mas isso é uma coisa que não mata, mas dói”. Talvez por isso é simpatizante do movimento masculista que incita os homens a lutarem também pelo seus direitos.

Será que somos nós que nos tornamos demasiado sensíveis? Que lhes impomos demasiado a nossa visão de vida e do mundo? Luiz Cuschnir acha que “hoje há uma população de mulheres jovens com muita dificuldade em encontrar parceiro, por se considerarem atitudes machistas quaisquer diferenciações do que é masculino e do que é feminino. Como se diferença fosse igual a desvalorização”.

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