Felizes para sempre

Jornal Folha de São Paulo – Jornalista Mariana Versolato
Entrevista concedida – 21/01/2015

FSP– Essencialmente, quais são os motivos que fazem com que casados sejam mais felizes que os solteiros? Há outras razões além daquelas apontadas nesse estudo?

Luiz Cuschnir – A dificuldade dos homens em interagir no que diz respeito a sua vida emocional, é bastante facilitada pela convivência com as mulheres. Por mais conflituada que seja a relação, a companhia que os estimula em vários papéis que desempenham, estimulam a realização pessoal e consequentemente a sua masculinidade. Além disso a chance de serem pais num casamento completa uma noção de identidade como homem muito importante.

FSP – Há alguma faixa de idade e classe socioeconômica em que o casamento parece ser mais benéfico?

Luiz Cuschnir – Não conseguiria dizer que em uma mais que na outra. No Brasil até meados da década dos 30 anos eles têm a chance de escolherem com mais tranquilidade mas passando disso já percebo essa necessidade de realização com um casamento e uma família. Hoje em dia também contam com a mulher para a conquista de uma situação financeira desejada. Quanto classe socioeconômica poderíamos encontrar esse desejo em faixas etárias menores nas classes baixa e média baixa.

FSP – O estudo aponta que o casamento deixa as pessoas mais felizes, mesmo levando em conta o nível de satisfação com a vida anterior ao casamento. Mas essa conclusão não se aplica à América Latina, sul da Ásia e África subsaariana. O senhor saberia dizer o porquê? Há algum dado relativo ao assunto para o Brasil? Aqui, pessoas casadas também são mais felizes que as solteiras? Os motivos seriam os mesmos?

Luiz Cuschnir – Não consegui ler essa conclusão mas identifico que o casamento aqui cumpre uma proposta de se completarem, de sentirem que estão fazendo uma progressão no que diz respeito ao seu papel de homem. O casamento os qualifica pessoalmente, inclusive há estudos no campo profissional que homens casados ganham mais do que os solteiros. As vantagens são evidentes pois a tendência de que se equilibrem emocionalmente é maior. Já ampliando em relação a pessoas em geral, uma companhia constante propicia um desenvolvimento pessoal emocional que nem sempre ocorre se não têm essa oportunidade de casar.

FSP – Ao mesmo tempo que o casamento traria mais felicidade, hoje já mais divórcios e menos gente se casando. Como se explica essa situação?

Luiz Cuschnir – Pouca gente casa para se separar. A proposta é que dê certo e este vai cumprir o percurso que tiver que cumprir. Se chega a um divórcio pode ser porque era até ali que o vínculo poderia alcançar. Isso não significa que essas pessoas não queiram retomar o mesmo rumo com outra pessoa e às vezes de outra maneira. Essa estatística de uma menor número de casamentos tem uma distorção onde não se conta as variações do que se chama “ casamento”.

FSP – Por outro lado, quais seriam os malefícios de um mau casamento?

Luiz Cuschnir – É maléfico enquanto a pessoa não tem condições de se proteger dos aspectos negativos inerentes nessa relação. Se houver uma proteção ou até uma afastamento com um divócio, dá a chance de recuperar para um novo projeto. O mau casamento restringe a pessoa em sua potencialidades. Mesmo que ela esteja no rumo do sucesso, posso garantir que se estiver num mau casamento estará restringindo áreas que poderia ampliar pessoalmente. Com os meus pacientes trabalho muito a questão de como criar condições para terem o melhor casamento possível e se for impossível que consigam buscar uma vida melhor, nem que seja para se afastarem desse malefício do casamento que têm.

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