Estou perdida

Conversando com Dr. Luiz Cuschnir – Glorinha Cohen

PERGUNTA Estou perdida quanto aos homens que encontro para me relacionar. Estou saindo com um homem de 30 anos, já maduro, empresário. Ele ainda mora com os pais e tem uma relação familiar muito boa com todos lá. Fui casada e tenho uma filha. Estou tentando me firmar profissionalmente e não consigo me sentir segura com ele. Ele é um homem sensível, mas muito possessivo e às vezes o vejo como antiquado e inacessível. Qual é a crise pela qual os homens com esse perfil estão passando? Dr. me fale um pouco desses homens, por favor.

RESPOSTA Vou te falar um pouco sobre o que tenho visto no consultório atualmente, tanto quando atendo esses homens como quando acompanho mulheres como você, que estão em um momento tão especial de suas vidas e querem também acertar nos relacionamentos afetivos que encontram. A crise deles é de valores mais do que de confusão nos papéis. As mudanças dos papéis não interferiram em como vêem os relacionamentos amorosos que almejam. Esses homens sabem que a mulher tem atribuições iguais do ponto de vista profissional e precisam se destacar nas suas carreiras. Querem participar do seu crescimento e vibram quando elas conquistam seu lugar ao sol. Mas isso não modifica o modo com que vêem e esperam de suas relações amorosas e como elas se estabelecem. Querem também que a mulher se dedique ao relacionamento, sejam exclusivas, estejam disponíveis para eles e principalmente priorizando o investimento de estruturar a relação afetiva.

Os solteiros estão mais acostumados com a liberdade e têm muitas restrições em abdicar dela. Entram em conflito com a necessidade que têm de ter alguém para amar em todos os sentidos e a sensação de terem que manter um ritmo de convívio que os tolhe para outras coisas que querem fazer.

Por outro lado, se incomodam quando são controlados em suas agendas, invadidos com telefonemas, mensagens e cobranças, querendo preservar a liberdade de fazer o que bem entenderem no tempo em que não estão trabalhando.

A maioria consegue entender que ela sofre pressões de ambos os lados, do relacionamento e do profissional, mas se perdem nos limites que precisam estabelecer para si e para o relacionamento.

Sentem falta de segurança no relacionamento com as mulheres. Não têm a sensação que as conhecem de fato e que elas estão sempre os comparando com outros, rompendo os relacionamentos que eles querem construir. Depois dessas decepções criam anticorpos e se retraem para os seus mundos privados.

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