ENTREVISTA CLUBE DO ZERO COM DR. LUIZ CUSCHNIR

  1. Queremos saber um pouquinho sobre você, sua carreira e seus livros.

 

Cuschnir por Cuschnir

Eu poderia ter sido engenheiro, arquiteto ou administrador de empresas, mas quando assisti o filme Freud, Além da Alma me fascinei com a Psiquiatria e decidi meu destino profissional. De repente, aos 17 anos, me vejo longe da família, cursando medicina na Faculdade de Ciências Médicas de Santos, mas ao invés de me dedicar apenas à psiquiatria, resolvi estudar todas as matérias médicas. Queria me preparar mais amplamente primeiro.

Nos meus primeiros anos como psicoterapeuta, atendi um número grande de adolescentes. Nas sessões vinculares, entre pais e filhos, apareciam as dificuldades de comunicação amorosa dos homens e seus filhos, coisas que envolviam afeto masculino e mostrando grandes lacunas a serem transpostas para que ambos experimentassem a amorosidade entre homens. Paralelo a isso, devido ao crescente movimento feminista, estavam ocorrendo grandes transformações no universo feminino que afetava drasticamente em como eles iriam responder às mulheres em suas solicitações. 
Estes dois assuntos se imbricavam ao se tratar dos papéis de pai e mãe, valores dentro e fora de casa, paradigmas de educação de filhos e conflitos psicológicos. Descobri um curso em um congresso da International Association of Group Psychotherapy and Group Processes em Amsterdam e lá vivenciei o que estava sendo desenvolvido na área psicanalítica clássica a respeito de grupos de gênero. Fiquei fascinado e encontrei uma chave para desenvolver algo aqui no Brasil.

Ao mesmo tempo, arrisquei fazer o primeiro grupo só de homens no consultório apesar da resistência de pacientes e até entre profissionais tradicionais que não tinham nenhum contato com a questão dos gêneros além da temática dos direitos sociais da mulher.

Esse primeiro grupo me levou às “páginas amarelas” da revista Veja pela primeira vez e a mídia me descobriu como consultor de reportagens a respeito das novas visões do Masculismo.

Sempre escrevendo a respeito dessas experiências, fui estudando e criando novos grupos terapêuticos de vivências. Levei vários homens e mulheres para Águas de S. Pedro e trabalhei com eles em separado e em conjunto, dentro do hotel Jerubiaçaba e do Bosque da cidade. Criei inúmeros formatos de abordagens psicoterapêuticas e temas onde o foco era o repensar o masculino e o feminino para cada um e surgiram várias oportunidades de desenvolver este trabalho em diferentes cantos do Brasil. Aproximar homens e mulheres nessas questões ainda tão confusas dava a dimensão do quanto se precisava trabalhar o mundo interno do homem e da mulher de diferentes culturas, estados e religiões, para se propiciar um desenvolvimento dos novos paradigmas.

Fui eleito internacionalmente para o Board of Directors da International Association of Group Psychotherapy (IAGP), no qual também participei como co-editor da newsletter da entidade (Globeletter).

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No Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas onde criei um estudo formal científico com grupo de homens e apliquei diversos instrumentos e procedimentos psicodinâmicos específicos para se trabalhar com o gênero masculino e desenvolver as questões de conflitos emocionais em homens. Depois de três anos de trabalho apresentei em uma dissertação de mestrado “Masculismo, um estudo dos conflitos emocionais masculinos através do Gender Group®”, onde ao mesmo tempo comprovo a eficácia dessa abordagem psicoterapêutica grupal que criei para esse fim e estudo profundamente a psicologia masculina em grupos. Algum tempo depois, ampliei a mesma abordagem para as mulheres e expandindo o serviço cada vez mais, passei a trabalhar nesta mesma perspectiva todas as faixas de adultos inscritos, chegando até a pacientes com mais de 70 anos.

Vários livros foram surgindo depois de uma segunda vez que fui “Páginas amarelas” da revista Veja…

  • Ainda Vale a Pena – Cultivar para manter os vínculos de amor

Academia/Editora Planeta, 2015

  • Por Dentro da Cabeça dos Homens – Entenda como os homens pensam e agem – por quê

Academia/Editora Planeta, 2013

  • Como Mulheres Poderosas se tornam Mulheres Conquistadoras

Editora Planeta, 2012

  • A Mulher e Seus Segredos – Desvendando o mapa da Alma Feminina

Editora Larousse do Brasil, 2008

  • Os Bastidores do Amor– Sentimentos e buscas que invadem nossos relacionamentos e como lidar com eles

Editora Alegro, 2004

  • A Relação Mulher&Homem– Uma história dos seus encontros e diferenças

Editora Campus, 2003

  • Homens sem máscaras– Paixões e segredos dos homens

Editora Campus, 2002

  • Homens e suas máscaras– A revolução silenciosa

Editora Campus, 2001 (coautoria com Elyseu Mardegan Jr.)

  • L. Moreno– Autobiografia

Editora Saraiva, 1997

Editora Ágora – Diamon, 2014

  • Masculino – Como o Homem se Vê/ Feminina – Como o Homem vê a Mulher

Editora Saraiva, 1995

  • Homem, um pedaço adolescente– Adolescente, pedaço de Homem

Editora Saraiva, 1994

 

Coautoria

  • A Psicoterapia na Instituição Psiquiátrica

Editora Ágora, 1999

  • Amor e Sexualidade – a resolução dos preconceitos

Editora Ágora, 1999

  • O Psicodramaturgo J.L.Moreno

Casa do Psicólogo Editora e Livraria, 1990

Fui Chair Sulamericano do 1st Multidisciplinary Congress on Men, Ottawa, Canadá, Chair do Pre congresso da International Association of Group Psychotherapy em São Paulo, Brasil. Sou professor-supervisor pela FEBRAP – Federação Brasileira de Psicodrama. Especializei-me em psicodrama pelo World Center of Psychodrama, Moreno Institute, Beacon, N.Y., Estados Unidos, pelo Instituto J. L. Moreno da Argentina e pela Sociedade de Psicodrama de São Paulo. Tenho a formação de terapeuta em BSP – Brainspotting (Processamento de pontos cerebrais) e EMDR – Reprocessamento através de movimentos oculares.

Atualmente tenho levado o GENDER GROUP® para dentro de empresas e instituições, que identifica conflitos empresariais e desenha palestras, debates, dinâmicas, workshops e cursos vivenciais para desenvolvimento de equipes e profissionais em função do potencial individual e inter relacional nas empresas baseando-se no relacionamento homem-mulher.

Hoje, com mais de 40 anos de experiência acumulada e treze livros publicados, divido minha vida profissional entre minha clínica particular no bairro do Paraíso em São Paulo, o trabalho de Chefe do Gender Group® no Serviço de Psicoterapia do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas de São Paulo e como consultor especializado para diversos grupos de mídia, programas de TV e websites.

  1. Existem muitas dúvidas sobre o universo masculino, quais são os questionamentos mais comuns que você recebe?
  • O que não dizer a um homem – Como a mulher deve se colocar para os vários tipos de homem
  • A relação pai-filho hoje – As diferenças que existem do antigo pai e o que representa hoje para um homem ter um filho
  • Depressão no homem – Como ele lida com a própria depressão e como acessa a sua emocionalidade restringida
  • Desigualdade entre homem e mulher – Existe o machismo? Onde? Em quais aspectos?
  • Traição masculina – Por que ele trai? Qual a diferença para ele e para ela? Como ele lida com a traição da mulher?
  • O que leva um homem a terapia hoje? Aceita mais que antes? Mais que a mulher? Quais vão e quais não vão? Separações, traições e insatisfação sexual: temas recorrentes na terapia
  • O machismo hoje – Presente? Passado? Dele? Dela?
  • Importância da imagem física para os homens – Por que para ele é tão importante a imagem física da mulher? E como ele lida hoje com a própria?

 

 

 

  1. O que os homens esperam das mulheres?

Eles estão avaliando aspectos e se baseiam pelo que veem, intuem e conhecem. Investigam tendo como parâmetro os próprios conceitos, inclusive a formação familiar que tiveram. Os que já tiveram experiências anteriores de casamentos e também os que tiveram namoros mais longos, vão usando isso para pautar os prós e contras da escolha

Checam, às vezes sem ela perceber, até com ela mesma, como foram os relacionamentos anteriores dela

Alguns exigem mulheres que sejam independentes e com uma carreira profissional mais desenvolvida. Já outros se sentem mais tranquilos se estão perante uma mulher que a ambição profissional não atrapalha a constituição de uma família e por conseguinte cuidados com futuros filhos e ambiente doméstico. Mulheres femininas, com um bom contato com sua essência como mulher, em geral agrada qualquer homem.

Querem mulheres maternais para os seus filhos. Examinam isso e checam se poderão confiar que os criem dentro de preceitos da dedicação a eles. Ao mesmo tempo não aguentam que elas fiquem no pé deles como uma mãe superprotetora. Não as querem maternais com eles, mas com os filhos sim. Para eles querem mantê-las no papel feminino o máximo possível, por isso olham se essa mulher se cuida e vai continuar se cuidando mesmo depois de ser mãe.

 

  1. De forma geral, o que mais atrai o homem em uma mulher?

Pessoas reprimidas podem se sentir atraídas pelas mais liberais, extrovertidas por introvertidas e racionais por emocionais, mas, de uma forma geral, uma relação se estabelece quando é saudável e passível de convivência.

Cada um tem uma série deles que podem percorrer o físico dela, só o rosto, a vida profissional, econômica, social etc.

 

 

  1. Quais as maiores inseguranças e medos dos homens em uma relação?

Muitas vezes, não é falado o que está por trás, como desconfiança, questões econômicas e hábitos familiares do outro.

Ele não quer magoar a mulher, pois se sente verdadeiramente mal com isso. Esse desejo está ligado a uma posição de eterno protetor, uma visão antiga da qual ele anda não se desligou.

 

 

  1. Os homens se importam mais com a beleza ou com a personalidade da parceira?

Tudo que existe na natureza carrega um potencial de perfeição e beleza infinita. Como se diz popularmente: “A beleza está nos olhos de quem vê”, isto quer dizer que a beleza, por mais padronizada e estudada que seja, ainda continua como um valor subjetivo, o que dá espaço para as mais diversas interpretações e aceitações do que é belo para cada um. Saber se valorizar, ter equilíbrio e adequação para com o ambiente e a mensagem que transmitiu para o social, expande muito as condições de ser avaliada como bela.

Uma mulher autoconfiante passa uma sensação de segurança, como se ela estivesse totalmente confortável consigo mesma, o que gera admiração e destaque, resultando num magnetismo que acaba atraindo as pessoas ao seu redor. A confiança vem de um auto conhecimento e aceitação de si mesma, requisitos básicos para quem quer estar de bem com a vida e atrair bons relacionamentos para perto de si. Se reflete fisicamente com uma postura que indica uma abertura para o mundo e passa a estimular quem está a sua volta, influenciando seu olhar, tom de voz, respiração e expressão corporal.

 

  1. A diferença de idade ainda é um tabu nos relacionamentos?

Grandes transformações nessa área. Nunca houveram tantos homens mais novos que as mulheres como nesses últimos tempos. As críticas e maledicências são menores e tanto um como outro se aceitam mais nessas condições. Claro que em certos ambientes ainda se espera a diferença dele ser mais velho com uma possibilidade dele poder dar mais apoio a ela. Mas como isso tem se relativizado cada vez mais, os parâmetros mudaram.

  1. Com o que os homens se preocupam na hora da conquista?

O homem alfa se propõe a proteger suprir a mulher dando-lhe a segurança de que ela pode relaxar e seguir o seu caminho de conquista para se posicionar no mundo. Pode também utilizar esse posicionamento e desvalorizar a mulher até de uma maneira agressiva e quando extrapola já estamos perante um machista.

O homem beta utiliza a sua força na hora certa, mas está envolvido em participar com ela dos seus afazeres, não se importando com uma divisão de tarefas, mas privilegiando o convívio e tempo juntos. Pode também estar nessa posição e perder a sua força sem encontrar atributos que o confirmem na sua masculinidade. Aí estamos perante homens hipersensíveis que são vistos como fracos por elas.

Não há como dizer se será mais bem sucedido um ou outro pois o provável sucesso é regido de acordo com o vínculo afetivo que está envolvido. Se ele consegue integrar a sensibilidade mais expandida em sua vida profissional, pode ser útil para o seu relacionamento com o ambiente de trabalho e terá ganhos com isso. O mais importante na vida amorosa é ele estar seguro para se colocar como é verdadeiramente. Dessa maneira também será mais fácil escolher a mulher que o complemente e que ele poderá suprir.

 

 

 

  1. Como homens e mulheres lidam com o término de um relacionamento?

Homens precisam sim da companhia de uma mulher para se completarem. Também não é fácil ter uma vida social de convívio com diferentes grupos sem uma companheira. Há uma certa impulsividade que caracteriza estas situações. Ele acaba se envolvendo sem muita discriminação. Só se dão conta disso, depois de algum ou muito tempo.
As estatísticas dos pedidos delas do divórcio penso que se devem mais a insatisfação delas, assim com novas possibilidades de uma vida mais adequada para o que pensam ter adiante.

Mulheres muitas vezes ficam devastadas com esse término mas a capacidade de se reerguer e o suporte social e afetivo as impulsiona para uma mudança de estilo de vida sem necessitarem um novo relacionamento de imediato.

 

  • Por que dizem que os homens são de marte e as mulheres são de Vênus?

A dimensão que ela vive, com seus anseios relacionados ao seu emocional e sua visão de mundo, a torna uma habitante deste lugar com essas características. O que ela precisa na vida não é a mesma coisa que o homem. Às vezes ela não percebe o número de vezes em que o agride, pois ele não dá sinais. O nível de agressão pode ser muito pequeno – do grito, passando pela agressão física e terminando no silêncio, no desprezo, na falta de valorização. Os homens também se sentem desvalorizados e se separam por causa disso. Só não contam a ninguém. E é o que vai minando a autoestima masculina, contaminando a relação e, num determinado momento, ele transforma-se em violento ou abandonador.

Este habitante de outro planeta vive com fantasias de conquista, de liberdade, de asseguramento que transcendem as conquistas afetivas. O poder, o ter, a valorização do que faz e é, o tornam um perseguidor de metas que independem da relação que tem com a mulher. Nem sempre consegue o acesso a ela e muitas vezes não lhes dá acesso também. Funciona de uma maneira mais isolada e nem sempre com tanta consciência e integração do que sente.

São distintas linguagens com a vida…

 

  1. Se ele não guarda aniversário, como consegue dizer a escalação do time de futebol do campeonato do ano que ele nem era nascido?

O que lhes dá prazer muitas vezes está relacionado com o quanto consegue se transportar para conquistas, mesmo que sejam “viagens da sua cabeça”. Quando está nessa esfera e sente prazer com isso, tende a buscar este espaço mental para se desligar sem o compromisso de como deve ser para o aniversário, por exemplo, que ela dá tanto valor pois faz parte do seu universo romântico feminino.

  • Como e porque o homem se apaixona?

 

Encontro homens que quase se dilaceram emocionalmente por uma mulher, e até depois por outra nem sentem tanta paixão.

Muitos acreditam que esta declaração só deve/deveria ser pronunciada quando houvesse uma intensidade de sentimento envolvida naquele momento que justificaria fazê-la. Isso só aconteceria também em situações muito especiais, quase únicas. Eles também não acreditam que a companheira vai poder entender que é uma situação pontual, daquele momento, e não “quase eterna”.

Depende de cada homem. Se for uma pessoa desligada, ele pode não perceber tão claramente. Fisiologicamente, o homem apaixonado tem descargas de adrenalina que o deixam agitado, se emociona facilmente e tem uma excitação sexual maior quando está em contato com a mulher desejada.

Existem vários estilos de homem, vários padrões. Existe o homem que tem total controle da situação e logo parte para outra, e existe aquele que sofre e se humilha. Esse sofrimento pode vir carregado de agressividade, fazendo com que ele fale mal da mulher para outras pessoas. Ele pode também buscar um jeito de se reconciliar com ela e fazer promessas que acha que vai cumprir. Existem ainda homens que tendem a se recolher mergulhando no trabalho, por exemplo. Outros exacerbam um comportamento que já tinham, como beber ou malhar em excesso.

 

  • O histórico de relacionamento da mulher é importante para o homem?

Para alguns sim, por mais que estejam imersos a um mundo mais igualitário entre os dois gêneros. Mas isso depende muito do universo cultural e social que vivem. Também as diferentes etapas da vida (solteiros, casados, separados, viúvos) assim como a própria idade, permeiam as dúvidas do quanto podem ou não confiar em uma mulher para se entregarem.

 

  • Existe uma diferença entre a traição masculina e a traição feminina?

 

Traição são diferentes para o homem e para a mulher, de acordo com a experiência que tenho em meus estudos sobre os gêneros. Ainda percebo quantitativamente mais homens que mulheres traindo ou fantasiando traições. Mas acompanhando há 4 décadas o movimento da sociedade, comparativamente constato uma diferença inversa de mulheres e homens, elas mais permissivas tanto em trair quanto em se imaginar traindo. Já eles menos instados a isso ao longo desse tempo.

Na premissa de “quem ama não trai”, uma associação que já faz parte do senso comum, no fundo implica colocar tudo no mesmo patamar, como se fossem sinônimos e a única via para uma relação dar certo e provar o amor. Trair, em sua concepção, continua a ser entregar-se de corpo e alma a essa outra pessoa – o que ele não faz muito frequentemente quando tem essa experiência. Por outro lado, ser fiel tem uma conotação estritamente física, e mesmo assim passível de contestação. O homem pode ter mais dificuldade de refrear o impulso sexual mas não dá para dizer seguramente que está traindo o relacionamento amoroso.

 

  • O homem de hoje ajuda mais a mulher nos cuidados com o filho recém-nascido?

Ele está com mais possibilidade de se integrar nessa nova configuração da família. Quanto mais cedo consegue participar da gravidez, mais pronto estará para os primeiros tempos. Os primeiros momentos podem ser mais difíceis mas o que vejo é cada vez mais se aproximarem e tirarem o proveito do quando a paternidade os assegura e completa afetivamente.

O filho pode ter a visão masculina da vida, não e´ só educado pela mãe. O pai tende a mostrar um lado mais prático e mais amplo, dando um campo mais aberto de conquistas para esse filho.

Temos homens mais integrados e com uma visão mais ampliada do que é a relação homem/mulher. Pais mostram e aprendem muito com isso e podem rever seus valores e atitudes tornando-se mais acessíveis a todos que os rodeiam. Os filhos têm acesso a modelos mais viáveis de trocas do que pode ser útil para suas vidas.

 

 

  • O que o homem pensa sobre a “guarda compartilhada” de um filho?

O equilíbrio de forças no emprego obrigou os pais a participar mais ativamente das tarefas domésticas. Os homens hoje estão mais envolvidos com a família, trocam mais carinhos com os filhos, com a mulher, querem exercer seu papel de modo integral. E o homem gostou desse papel. Podemos dizer que o ‘masculismo’ – a atitude do homem moderno, sensível, aberto ao afeto – venceu o machismo. E a sociedade valoriza mais esse homem do que antes.”

Sempre foi importante para o homem ter filhos, pois dá a noção de continuidade e muitas vezes de sentido de vida. Sentir-se capaz, fértil, reprodutor, conecta-se com a masculinidade e toda noção de identidade masculina. A segurança pode advir daí, mas também sabemos que muitas vezes perante os filhos, a insegurança pode aparecer quando não está claro o que se está oferecendo ao filho. O pai deve saber e acreditar que está oferecendo o melhor de si. Se o filho aproveita é outra coisa.

Hoje, ele não está mais disposto a entregar o filho a mulher como um fato consumado “já que ela é a mãe…”. Se sentem no direito de usufruir desse momento de crescimento mas ainda vejo em certos ambientes muito preconceito em relação a isso.

 

 

  • Por que os homens não gostam de discutir a relação?

Os homens não reparam em detalhes e detestam discutir a relação. Podem reparar mas não valorizam, não gravam, não conseguem manter a informação tanto tempo. A discussão da relação para eles desgasta, não resolve os problemas que têm. é como se fosse paga convencê-los que estão errados. Também associam com uma conversa com o “chefe”, o “patrão”.

Por outro lado têm culpa, muita culpa… Homens não acreditam que a mulher tem condições de aceitar a realidade, as colocações, as limitações deles, e assim eles ficarão no lugar dos vilões, carrascos, desumanos, mentirosos etc. Dizer esse “não estou a fim de você” pode parecer que ela não serve para nada como mulher. Isso e outras tantas coisas que ela quer discutir ou argumentar, o coloca num impasse: falar e não se sentir ouvido, com reiteradas argumentações repetitivas, ou entrar num embate que ele nem acredita e pode levar a uma discussão que pode chegar a ser agressiva e desastrosa.

 

 

  • Por que os homens traem? Eles realmente fazem isto mais que as mulheres?

Na minha experiência, a insatisfação relacionada ao que o outro não proporciona, equivale aos dois. Nas psicoterapias aparecem muitas mulheres que se queixam da falta de um sexo mais completo, principalmente incluindo uma atitude amorosa no relacionamento como um todo, não somente na vigência do sexo. A motivação dos homens vem da necessidade de variar e dar vasão às fantasias, que nem seriam preenchidas no relacionamento que têm.

 

 

 

  • Como homem demonstra que está num relacionamento sério?

Quando faz uma busca mais constante e mostra um compromisso com perspectivas futuras. Se ele dá sinais de uma construção futura, compromissos juntos, atividades que os une em termos de tempo, muitas vezes estão examinando e construindo essa possibilidade.

Se ele já está avisando que não dá nenhuma garantia que vai conseguir seguir em uma relação mais duradoura, ou que está tão descrente da sua capacidade de se estabilizar, de encontrar alguém que realmente deseje ficar por um tempo maior, que já avisa para não se sentir mais culpado depois.

 

 

 

  • Por eu os homens têm dificuldade em entender as “indiretas” que as mulheres dão?

Nos meus trabalhos comprovei muitas vezes isso: homens ouvem muito bem, mas não querem atender as mulheres, por vários motivos.

Já fiz experiências comparativas mostrando que quando eles propõem certas ações, elas em grupo não conseguem escutar estas propostas.

Também as mulheres pensam que eles não ouviram, mas quando em grupos pedimos para elas repetirem o que eles falaram, elas têm muito mais facilidade em “intrepreta-los, do que escutá-los e repetirem o que eles acabaram de falar.

 

  • Quais são as manias femininas que irritam os homens?

 

Depende do homem. Há os que não aguentam “perua”, e outros que não aguentam “breguiçe”. Alguns exigem educação, formação, carreira, situação econômica etc. Outros podem estar muito ligados a parte física, higiene pessoal, expressão do carinho etc. Mulheres muito controladoras, limitadoras da liberdade e que os perseguem até no que pensam, podem irritá-los muito.

 

 

  • Por que os homens não conseguem encontrar o que procuram dentro de casa, por exemplo, chave do carro, carteira, óculos e até mesmo a manteiga dentro da geladeira?

Há um comodismo que está muitas vezes baseado no modelo paterno e na proteção da mãe dele.

Também pode estar relacionado a se sentirem sobrecarregados em relação a mulher, que pode lhes parecer levar uma vida mais folgadas, e levam desta maneira como uma cobrança pela sobrecarga de deveres e responsabilidades. Não avaliam a dimensão emocional do que elas também estão vivendo.

  • Por que os homens não expressam seus sentimentos?

 

Alguns podem querer sempre se testar sem exporem-se diretamente. Outros só entram numa relação quando estão se estão muito seguros de poderem se entregar e por isso não se comprometem expondo o que sentem antes disso.

Eles não se entendem e não se sentem entendidos. Portanto, não se protegem das próprias emoções. E, como não se protegem, não sabem como proteger o outro da frustração. Devem abrir espaço para a reflexão, já que os homens não contam com local onde possam refletir sobre si mesmos e para isso é o meu trabalho com eles.

Seu espaço, em geral, é comum a outros homens, como os estádios de futebol, onde podem comemorar. Mas não dispõem daqueles onde possam abrir-se com relação à sua identidade. É paradoxal, mas a liberdade masculina não se mostra tão livre quanto parece. Reivindica brechas por entre as tramas da educação que os contempla com bem menos do que necessitam.

Foram educados para segurar, resistir e lutar; e não para sentir, falar, expressar-se a partir do que ocorre dentro deles. Decidi entender o desencontro e promover o encontro entre homens e mulheres. Os oriento e descobrem novas posturas, que um e outro devem apresentar para alcançar a convivência pacífica.

Homem não chora é apenas uma bandeira que esconde outros deslizes sociais. Os homens também não podem rir ou divertir-se livremente em situações onde se sentirão expostos e quem sabe cobrados. A educação masculina define o perfil do aguenta, não se mostra. Comemorar algo externo a ele, como jogos de futebol, permite-se. Mas se a comemoração for pessoal, como a promoção no trabalho ou no estudo, deve ser cercada por certos limites.

Quando adolescentes, ainda se liberam, apoiados por suas turmas, mas vão se fechando à medida que entram na fase adulta.

A parte adolescente do homem tem colorido forte e indica que existe a possibilidade de vivenciar com mais liberdade suas experiências. Já na outra parte adulta o contêiner precisa se quebrar para se enxergar este colorido. O lado masculino sensível existe mas não aparece, encoberto pelo homem que não consegue vivenciá-lo.

 

 

  • Por que não pedem orientação quando estão perdidos?

Por trás de tudo está a dificuldade de o homem se colocar numa relação com a mulher e com ela dividir responsabilidades. Ensinado a tudo resistir, segurar e manter o papel de provedor, agrega às suas obrigações a possibilidade de dar suporte emocional à mulher, o que nem sempre consegue. Ele acaba “engolindo” e assumindo muita coisa, pois está habituado a isso.

Muitas vezes educados com visão ruim do próprio pai os meninos, quando adultos, verão o retorno desse tratamento em si mesmos. Por isso são tão sensíveis às lágrimas. Uma mulher chorando aciona seu perfil perverso – parecido com o do pai – que o bloqueia”. Alguns conseguem transpor isso, mas a maioria convive com a delimitação do espaço a ele destinado.

Às vezes, fica afetado pelo jeito como a mulher se expressa ou cobra coisas dele, sem conseguir pôr limites em suas atitudes. Num determinado momento, parte para a agressão – mais ou menos violenta – ou para o abandono.

São inconstâncias que compõem o seu universo masculino.

 

  • É verdadeira a frase: “Homem pensa só em sexo”?

 

O homem muda a maneira de encarar o sexo conforme as fases da vida (adolescência, juventude, maturidade, velhice). Cada momento, nem sempre relacionado a idade mas sim ao contato afetivo que têm, desenvolvem mais ou menos a visão do sexo. Podem tê-lo como um esporte ou como uma válvula de escape. Usam as fantasias, às vezes impronunciáveis para qualquer pessoa, até para si próprios, para estarem imersos em um mundo onírico que os completa.

Para se aliviar e relaxar homens precisam ejacular e desviar a atenção para o que na própria vida que os aflige mais amplamente.

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