Conceitos e Preconceitos

Artigo inédito – Luiz Cuschnir

Conceitos e preconceitos nos relacionamentos

Preconceito é uma doença.

Da alma.

Pensam torto, enxergam errado.

Acham que criança não sabe nada, velho não pode ser feliz, só os moços e bonitos amam, deve-se desconfiar das pessoas, pobres são perigosos, ricos são maus.

Turva o nosso olhar e entorta a nossa alma. Nos diminui e nos emburrece.

O grande acontecimento antipreconceito: pessoas que ao invés de ficarem em casa praticam esportes em lugar de ficarem em asilos ou escondidas em casa e se preparam para Pequim na recente olimpíada no Rio de Janeiro.

Para cada um deles não havia preconceito, mas havia vida que deveria ser vivida da melhor maneira.

O normal nem sempre é o natural.

Os grandes inimigos são a traição e a infidelidade no sentido da quebra de confiança que restringe uma pessoa de amar outra pessoa também, estabelecendo um código em a relação ao comportamento sexual. Mas de uma maneira mais ou menos ampla, de acordo com as normas que cada casal decide.

O sexo se avalia como positivo quando há honestidade, responsabilidade e verdade?

O amor é um recurso infinito e não finito?

E o sexo e o amor, o que um tem a ver com o outro?

Ninguém duvida que se possa amar mais de um filho, nem se impõe a regra de que quando se inicia uma amizade tem-se que descartar a outra.

Ciúme não é inato, inevitável e impossível de superar.

Há uma expressão em inglês que é “comparsion” (comprazer), sentimento que advém do fato de uma pessoa que se ama, é amada por mais alguém. Como se compartilhassem a mesma pessoa. A isso se denomina atualmente com a expressão “poliamor”.

Poliamor é um investimento de longo prazo e não simplesmente aventuras.
Não é uma relação aberta que está relacionada com sexo nem algo escondido que necessita a mentira para ser tolerado.

Nasceu como movimento há 20 anos nos EUA hoje com ramificações pelo mundo.

Em 2005 houve o 1º congresso a esse respeito em Hamburgo, Alemanha.

No Google há 769 citações da palavra poliamor e 840 mil da a palavra “polyamory”, de acordo com a brilhante escritora Regina Navarro Lins.

Enfim, há muita coisa para se aprender sobre o amor.

Infinitas…infinito…

Afinal o que é ser maduro?

A maturidade como um todo, é vista hoje como o que se pensava do envelhecimento.

Envelhecer é deixar-se afetar pelo tempo, sem lidar com as transformações da vida real, com o desenvolvimento possível a partir do que já se conhece da vida, das experiências da vida.

Então, envelhecer é ficar velho, mais no sentido de deteriorar, quanto à qualidade de vida do ser humano.

Amadurecer é utilizar o já vivido e poder experienciar outras tantas coisas, reiniciar o que ainda precisa ser feito, e conseguir lidar com o que se perdeu.

Mais especificamente na área emocional, que abrange os afetos, os amores, os relacionamentos, podemos dizer que cabe a pessoa conseguir se perceber em relação ao outro, como reage, o porquê está assim, o que está envolvido nesse relacionamento. Da mesma forma, é conseguir lidar como o que recebe do outro, de uma maneira mais inclusiva, trazendo para dentro e para perto, sem tantos preconceitos nem rejeições a priori.

Como falei, a vivência é um dos pré-requisitos para esse desenvolvimento emocional.

Teoricamente a pessoa só consegue imaginar situações, teorizar sobre como seria, mas se não vivenciou situações plurais, diversas, não consegue condensar nem ampliar sobre outras mesmo que não teve tanto contato. Melhor dizendo, não se precisa ter experimentado um crime para ter noção do que é ter sido violentado. Mas observar situações paralelas, no convívio com outras pessoas, em reflexões e discussões à respeito, no envolvimento próximo com situações afins, podem então dar subsídios para um amadurecimento em um nível razoável.

O exercício de se colocar no lugar do outro, como falamos no Psicodrama, “inverter o papel com o outro”, ajuda muito no adquirir a maturidade emocional.

Pessoas muito enrijecidas, com preconceitos e tudo muito determinado antes do contato com as situações reais da vida, são sujeitas a não refletir sobre suas vivências nem transpor o que têm como regras de vida, e acabam amadurecendo com mais dificuldade. Já pressupõem e concluem antes de uma ampliação de visão. Acabam conhecendo menos do mundo e, por conseguinte, não se desenvolvem emocionalmente.

Quais são os relacionamentos sadios?

Essa sensação de que vocês dois se dão tão bem é provavelmente reflexo de há uma troca sadia aí. A mulher tem uma transformação ao longo de sua vida e passa por uma série de etapas que vão provocando diferentes respostas a cada uma delas. Cada momento, cada experiência, vai tendo um significado e demanda um novo aprendizado. É claro que nem todas apreendem com a mesma densidade.

Tudo depende da capacidade individual de absorção dos eventos que a vida nos vai proporcionando e a possibilidade de perceber o que aconteceu, seu nível de aprofundamento emocional e sua experiência de vida anterior.

Você pode conseguir uma maturidade maior de acordo com essa absorção das vivências que vão ocorrendo no dia-a-dia. Isso provavelmente te dará mais segurança e se sentirá uma pessoa mais equilibrada com ele.

Preste atenção no quanto o outro também está ganhando com o convívio com você.

A tua energia no decorrer do tempo, a tua vivacidade nos diversos momentos que passam juntos e mesmo a tua curiosidade em descobrir as coisas novas, podem ser de uma importância extrema para quem está com você, e muito especial para o relacionamento dos dois.

Os relacionamentos na terceira idade

A falta de sintonia entre os casais na 3ª idade podem causar até problemas emocionais graves ao ponto de afetar a saúde. Exemplo disso é a falta de entusiasmo, depressão…entre outros. Daí vêm outros que o lugar comum é doenças físicas aliadas ao declíneo da qualidade de vida que observo em minha clínica.

Ambos estão em um momento onde precisam de estímulos novos e ao mesmo tempo, não conseguem respostas tão satisfatórias quando buscam novos parceiros.
Podem desenvolver uma certa inadequação social, exagerando às vezes nessas buscas de inovações. A depressão muitas vezes aparece de maneira muito sutil e com formatações irreconhecíveis. Os próprios efeitos colaterais das medicações para doenças físicas podem piorar certos aspectos de qualidade de vida. Certas restrições de atividades, ou se não forem cumpridas certas orientações aos cuidados destas doenças, também estarão interferindo nos hábitos e satisfações quanto a vida diária. Isso tudo pode propiciar um decréscimo do entusiasmo.

A mudança de estilo de vida, com o afastamento dos filhos, síndrome do ninho vazio, falta de atividades profissionais, distanciamento social, desvalorização social, etc podem provocar muitos desajustes no relacionamento, que independem de como estiveram antes.

Construíram-se uma cumplicidade e um entendimento ao longo da vida, com certeza vai servir para enfrentar esse novo momento.

A sintonia como na adolescência pode ser uma utopia. Se possível é melhor reescrever sua história, uma renovação do vínculo afetivo, uma redescoberta. Assim de criam novos desafios e interesses. Passam a amar com uma maturidade mais adequada.

Amar é correr riscos…

Criatividade, certo esforço e entrega são peças fundamentais para quem gosta de surpreender. Sinceridade também. Flores pontualmente entregues no dia do aniversário por lembrança e iniciativa de uma secretária particular cheiram, de longe, amor burocrático, Aquele que rola no piloto automático e cumpre apenas formalidades. Expressões apaixonadas exigem esforço e toque pessoais.

Precisa-se ter coragem de reinventar a vida.

Amar é correr riscos e reafirmar esse sentimento dizendo mais uma vez, outra vez, inúmeras vezes: eu te amo.

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