Como era a Vida Sexual antes do Viagra?

Artigo inédito – Luiz Cuschnir

Tenho recebido muitos depoimentos de pacientes de estão desenvolvendo temas de sua vida afetiva, profissional e social. Nos casos a que estou me referindo, são homens, da faixa dos 20 e poucos anos até mais de 50. Isto quer dizer que estão discutindo comigo seus caminhos, principalmente em seus relacionamentos amorosos, interferindo ou não em como estão com seu ritmo ou qualidade de vida.

Vocês podem imaginar o que está acontecendo com eles todos, desde que mesmo através do Masculismo como uma elucidação ao entendimento da transformação da vida masculina hoje em dia, perante ao que vem os pressionando, o Feminismo. Tudo era muito diferente antes dele, do movimento feminista da segunda metade do século que passou.

Homens precisavam manter uma atividade sexual sim, e bem elevada em todos os sentidos. Mas a pressão era bem diferente da dos dias de hoje. Precisavam de quantidade e não estavam nem aí com o como seriam avaliados por elas. Era até mais importante o quanto se autovalorizavam para os ouvintes de farra homens do que elas.

Mas agora, tudo mudou. Elas os avaliam, definem, cobram e se sentem profundamente rejeitadas, se eles não comparecerem. Estão também atentas não só na quantidade mas os classificam desde como, quanto, os adjetivando com nomes de frutas até de cilindradas de motores. São os novos tempos de vida sexual.

Outro dia uma paciente me referia sua impossibilidade de se relacionar sexualmente com um homem que não fosse bem cuidado, bonito também de corpo, não só “de alma”, como se acreditava ser exigência só dele.

Surgem então, para salvá-los gloriosamente e na maioria das vezes com grande eficácia, ou eficiência, esses métodos químico-medicamentosos. Já não são mais as pomadas duvidosas orientais, nem somente os aflitivos injetáveis localizados. Várias gerações de remédios vieram salvar os homens, dando segurança a eles com a maior praticidade na hora do ato sexual.

Não foram poucos, os relacionamentos que passaram ilesos a grandes crises, que transitavam pela baixa auto-estima dela ou dele:

“Ele não quer saber mais de mim, deve estar com outra”

ou

“Deixa eu ficar trabalhando mais, me acabo de tanto trabalhar, compro aquele anel que ela sonha, mas me alivio da impotência que me persegue”.

E a gente sabe, que fases diferentes ocorrem nos relacionamentos. E elas são altamente vulneráveis quando se fala em afetar a cama. Desde as influências do meio externo, “planos Collor da vida”, ou até o que eles localizam como entupidos das reclamações e cobranças, “já não escuto mais nada dela, tirando o óculos então …”

Mas aí vem o lado negro da história, bem negro aliás. é a alta incidência de homens inseguros e dependentes das famosas pílulas, que muito pelo contrário, forneceram segurança a eles, os tornaram totalmente “vendidos” aos seus efeitos miraculosos.

“Depois que eu conheci e tomei pela primeira vez esse remédio, acabei ficando mais inseguro ainda com a minha performance sexual. Comecei a achar que nem com ele irei ter uma boa relação porque o problema é a minha libido na minha cabeça e para isso, ele não adianta.”

Esse homem em processo terapêutico, ainda consegue ter uma boa discriminação do que está acontecendo com ele. Até mesmo consegue comparar o que acontecia em uma outra fase da sua vida: “sentia uma impulsão mito forte para agarrar a pessoa, com tesão viro um bicho”.

Não são pouco que relatam “não tentei nada naquela noite com a minha ex, eu estava sem a pílula”. Disfarçam, mascaram de várias maneiras, até com a desculpa da falta de preservativo, que na verdade é falta da maior bengala para a incapacidade surgida idiosincrasicamente.

A relação mulher e homem, com seus encontros e diferenças, está cheia de máscaras que se criam conforme a tecnologia bioquímica se esmera para promover mais e mais amálgamas para novos disfarces. O fortalecimento da identidade pessoal e particularmente de gênero, que afeta diretamente a intimidade sexual precisa ser profundamente considerada.

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