Até que a Vida (NÃO!) os Separe

“E VIVERAM FELIZES PARA SEMPRE…”
BOM SERIA SE TODOS OS CASAMENTOS NA VIDA REAL FOSSEM SEMPRE TÃO INCRÍVEIS COMO OS DOS FILMES. SÓ QUE FORA DE HOLLYWOOD
A GENTE TEM DIAS BONS, DIAS RUINS E DIAS EM QUE BATE AQUELA VONTADE DE DESISTIR. MAS, ANTES DE JOGAR A TOALHA, QUE TAL PARAR, RESPIRAR FUNDO
E VER SE TEM JEITO DE VIRAR ESSE JOGO?
RAFAELA POLO

AQUELA HISTÓRIA DE QUE O CASAMENTO SÓ TERMINA QUANDO “A MORTE OS SEPARE” NÃO É VERDADE.
Nem todo mundo tem final feliz. De acordo com o IBGE, nos últimos 30 anos o número de separações subiu de 30,8 mil para 341,1 mil no Brasil.
“A população e o número de casamentos aumentaram. Logo, os divórcios também”, diz o advogado mineiro Rodrigo da Cunha Pereira, presidente
do Instituto Brasileiro de Direito de Família (IBDFAM). “Setenta por cento das iniciativas de colocar um fim na união partem das mulheres”, garante. Por incrível que pareça, muitas das encruzilhadas que os casais enfrentam poderiam ser resolvidas apenas conversando. “Falta diálogo. É mais fácil cada um ir para o seu lado do que enfrentar o problema”, diz a psicóloga e terapeuta de casais Cristiane Maluf Martin, de São Paulo. Mas respire, amiga: nem sempre o casamento está tão no fundo do poço quanto
você pensa — e tudo de que precisamos é olhar os problemas sob uma nova perspectiva. Listamos as causas mais comuns de divórcios segundo especialistas (tanto advogados de direito de família quanto terapeutas de casal) e maneiras de fazer você dançar feliz nas suas bodas de ouro.

VOCÊS TÊM HUMORES DIFERENTES
Seu marido passa o dia todo fazendo um show de stand-up comedy. Você, por outro lado, é introvertida e leva a vida muito a sério. Enquanto no começo da relação o jeito dele a incomodava só um pouco, hoje parece infantil. E vice-versa: o cara não consegue entender por que você não se solta e encara a vida com menos, digamos, rancor.
NA ALEGRIA E NA TRISTEZA Diferenças criam barreiras numa relação, e cabe a você e ao seu parceiro saber enfrentar os obstáculos. E, nesse caso, o lance é encontrar um lugar comum sem exigir que o outro mude de comportamento por completo. “Pedir de forma clara respeito pelo diferente, mostrando que não quer modificá-lo, mas também não quer se sentir controlada ou ridicularizada, pode ser um caminho”, diz o psiquiatra Luiz Cuschnir, autor do livro Ainda Vale a Pena (Planeta do Brasil).

ROLOU UMA TRAIÇÃO
Você percebeu que tinha algo estranho no comportameno dele, o colocou contra a parede e ele confessou. Ou você mesma deu uma deslizada e resolveu abrir o jogo com o marido. Descobrir uma traição abala a confiança de qualquer casal e não é todo mundo que consegue seguir em frente.
NA ALEGRIA E NA TRISTEZA “Ser traído é a dor emocional mais devastadora que existe, ninguém está preparado para senti-la”, diz Cristiane Maluf. É preciso ponderar que, muitas vezes, a traição é o reflexo de um relacionamento que não estava dando certo. “A infidelidade ocorreu por ter espaço para isso”, afirma Luiz Cuschnir. Se optarem pelo perdão, é importante decidir se vocês estão realmente prontos para perdoar. De nada adianta dizer “Tudo bem, passou” se na próxima briga esse for o primeiro argumento lançado na mesa.

VOCÊS BRIGAM DEMAIS
Vocês estão conversando até que, de repente, DEMAIS parece que alguém deu play na música da metralhadora porque um papo casual se torna um trá, trá, trá. NA ALEGRIA E NA TRISTEZA Como vocês esperam superar os problemas se é uma bomba atrás da outra quando tocam nas suas dificuldades? “Quando percebemos que rolam muitas brigas, as chances de haver agressão verbal [porque se for fisicamente é divórcio mesmo, ok?] é grande. E muitas dessas agressões não serão esquecidas. Para reconstruir uma zona de respeito, é preciso muito mais que um pacto de não brigar”, explica Luiz Cuschnir. Quem briga demais se conhece pouco, então é um sinal de que falta, sim, ao casal, ou a um dos dois, abertura verdadeira para o diálogo. “Depois de se voltar pra dentro, fica mais fácil se abrir para o outro. Já vi casais ficarem um tempo longe e darem certo na segunda tentativa”, diz Cristiane Maluf. Antes de correr para um advogado, que tal propor umas férias separadas? Pode ser de uma semana, por exemplo. Usem esse tempo para reavaliar a relação e se lembrar do que gostam um do outro.

Falta de Comprometimento
Parece que é só você que se dedica à relação? Está sempre querendo arrumar uma coisa da casa planejando programas a dois, organizando as contas… E ele? Nada!
NA ALEGRIA E NA TRISTEZA Já parou para pensar que toda essa sua proatividade pode deixar seu parceiro em uma região tão confortável que ele não se preocupa mais? E, por esperar que ele tem que saber do que você precisa (afinal, está tão claro!), você não o confronta. Percebeu o ciclo que nunca será resolvido? “As pessoas têm dificuldade em dar valor por não perceberem que o compromisso do outro está muito menos explícito do que gostariam. A partir daí o risco de afastamento será grande”, diz Luiz Cuschnir. Peça ajuda, aceite e saiba entender que nem tudo sairá sempre como você quer. “Relacionamento é uma troca. Às vezes, as pessoas reclamam que o parceiro não faz nada, mas será que o deixam fazer?”, questiona Cristiane Maluf.

CASARAM MUITO CEDO
Não há idade nem tempo de relacionamento padrão para definir quando é a hora certa de dizer “sim”. O que acontece é que nessa corrida da vida tem dupla que queima a largada e acaba enfrentando os problemas lá na frente.
NA ALEGRIA E NA TRISTEZA Você nunca sabe tudo sobre o amor ou sobre a pessoa com quem escolheu passar o resto da sua vida. Ao longo do tempo, você percebeu que seu parceiro acorda muito cedo, que não curtem as mesmas refeições nem têm o mesmo cuidado com organização… Apesar de estarem sentindo os nervos à flor da pele, nada disso precisa ser motivo para terminar a relação. “Quando a pessoa tem pouca experiência de vida, acaba evitando aspectos que são úteis para que se sinta segura no relacionamento. Vivências passadas podem servir de ensinamento para melhorar o que você está passando hoje”, diz Luiz Cuschnir.
É, pode se lembrar de como superou dificuldades com ouTros parceiros e até entre vocês nos tempos de namoro. Vocês podem estar casados, mas a dinâmica de relacionamento continua a mesma.

CASARAM PELO MOTIVO ERRADO
Tem muita gente que acha que casamento é um escape para resolver problemas da vida ou para conseguir algo. E não é assim. Juntar as escovas de dentes é estar disposto a demonstrar cumplicidade e companheirismo. A aliança no dedo não é a sua passagem para o sucesso/ liberdade/felicidade. Isso você precisa conquistar sozinha!
NA ALEGRIA E NA TRISTEZA “Muitas pessoas esperam do casamento uma resolução emocional. Elas se decepcionam ao perceberem que o outro não se encaixa naquilo que queriam e acreditam que depois tudo se acerta, deixando de lado valores importantes para elas. Descobrir uma forma de erguer essa relação com alicerces que combinam com o que os dois pensam pode trazer muitos benefícios”, diz Luiz Cuschnir. Saber valorizar o que vão construir juntos, entender que o outro tem defeitos e que um marido não é a solução dos seus problemas emocionais é o primeiro passo para acertar seu casamento e sua vida!

OBJETIVOS DE VIDA DIFERENTES
Não tinha como saber que, após três anos de relação, você começaria a dedicar seu tempo para conseguir uma promoção no trabalho nem que ele acharia que vale a pena gastar tudo o que ganha com diversão. Esses obstáculos surgem apenas quando vocês já estão no caminho das bodas de papel (algodão, trigo, flores…).
NA ALEGRIA E NA TRISTEZA “A cada fase da vida, as oportunidades são diferentes. Além disso, a conscientização de que há mais do que imaginava para realizar tende a criar esse espaço entre o casal”, diz Luiz Cuschnir. Viu? Acontece com mais gente: não é um sinal de que o seu casamento está fadado ao fim. “A revisão dos planos, o companheirismo, o diálogo e o respeito pela necessidade do outro são vitais para conseguirem aproveitar essas diferentes experiências sem que se anulem ou se afastem”, diz o psicólogo. Por isso, pare para conversar quando perceber que cada um escolheu um lado do cruzamento para seguir a estrada e é necessário deixar tudo às claras.

DIVERGÊNCIAS NA EDUCAÇÃO DOS FILHOS
Você foi criada de uma forma. Ele de outra. Na hora de juntar tudo para ensinar aos filhos, divergências são previsíveis, mas nada que não consigam contornar. NA ALEGRIA E NA TRISTEZA Nem sempre essas discordâncias sobre em qual escola estudar ou como será a rotina das crianças surgem logo com o nascimento dos filhos. Algumas vezes, os problemas aparecem mais à frente. “É comum e até normal que isso aconteça, porque esses pais não têm necessariamente os mesmos valores culturais e sociais, e, mais do que tudo, têm experiências diferentes de vida”, diz Luiz Cuschnir. Para o especialista, os pais precisam encarar características que cada um gostaria de acrescentar à educação dos filhos. Podem trazer suas experiências, claro, afinal elas fazem parte de vocês. Só que nessa hora não vale ficar no discurso “Meu pai era assim” ou “Minha mãe fez assim comigo”. O ideal é passarem a se enxergar como um novo núcleo com novas regras e valores em comum a serem passados adiante.

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